Após o meu mestrado…

Boa noite! Espero que esteja tudo bem…

Infelizmente, ultimamente tenho publicado pouco… Não é fácil ter as minhas actividades e colocar algo aqui, mas é algo que decidi fazer e espero que possa publicar temas inspiradores e com uma certa frequência…

Na última publicação falei de como foi o meu mestrado. Hoje vou falar como foi depois de ser mestre.

Por mais estranho que pareça, depois de terminar o mestrado, continuava a dar aulas na faculdade onde sempre trabalhei, mas sentia um vazio enorme… tinha vontade de continuar com aquela adrenalina que sentia ao estudar e trabalhar.

Três meses depois de terminar o mestrado me casei… E três semanas depois de me casar fiquei grávida…

Os primeiros dois meses de gravidez correram bem. Continuei com a minha rotina de trabalho enquanto procurava uma bolsa de estudos para doutoramento. Mas… a partir do terceiro mês de gravidez tive que parar todas as minhas actividades porque estava com uma gravidez de risco e tinha muita dor. Tive atestado médico até ao parto. Foram 7 meses em casa! Nem preciso dizer que tive novamente uma crise depressiva! Lembro-me que ligava, mandava mensagens, escrevia e-mails, etc para os meus colegas do serviço a suplicar que me enviassem trabalho. Eles tinham receio de tornar as coisas piores e não me mandavam!

Como forma de me ocupar, fui pesquisando cursos online e fui os fazendo. Lembro-me que fiz muitos cursos nessa altura. Os cursos eram todos gratuitos, mas muito bons. Posso partilhar algumas das plataformas que usei: Udemy, Alison e Coursera. Os cursos são em inglês, mas velem mesmo a pena. Eles dão a possibilidade de ter certificados se a pessoa interessada preferir pagar pelo curso. Ao mesmo tempo que fazia os curos, fui procurando bolsas de estudo para doutoramento.

No terceiro mês de gravidez, surgiu uma oportunidade para fazer um doutoramento fora do pais. Eu devia ir para lá em Janeiro e devia lá ficar por 5 meses. Conversei com o meu marido sobre o assunto, e ele não se opôs. Mas, as coisas não correram bem e desisti da bolsa de estudos.

Alguns meses depois, consegui uma bolsa de estudos também para fora do pais, que por acaso era de um projecto da universidade onde trabalho. Mais uma vez, o meu marido não se opôs. Devia começar os estudos em Agosto do mesmo ano, mas o meu filho nasceu em Julho. Sendo assim, pedi para que adiassem a minha viagem para Janeiro do ano seguinte. Estava indecisa relativamente o que faria tendo um bebé tão pequeno, mas a minha tia que tanto tenho falado 😊 mais uma vez me deu uma bela ideia: porque não organizas com a tua universidade lá para poderes levar o teu filho e colocares a ele lá na creche? Ao mesmo tempo, veio-me o que uma amiga e “mentora” no mundo da ciência me disse quando foi visitar o meu filho com apenas um mês de idade: NUNCA DEIXES DE FAZER A TUA VIDA POR CAUSA DOS TEUS FILHOS, eles vão crescer e vão te MANDAR PASSEAR!!! Eu olhei para o meu filho, tão pequenino e disse: esta senhora não tem coração!!! Professora querida (ela é doutorada ou PhD), se estiver a ler esta publicação, não zanga comigo! Estes dois conselhos me ajudaram a ter coragem para levar o meu filho de 5 meses para um lugar super frio, em pleno Janeiro, e ficar apenas com ele lá por 3 meses.

Sinceramente, foi horrível! Eu logo de manhã ia deixar a ele na creche que ficava no mesmo recinto da universidade e quando saia das minhas actividades entre as 16 as 17 horas eu ia o buscar. As actividades lá começavam as 09hrs, mas pareciam 21 horas de Moçambique. Frio, chuva, tudo escuro!!!!

Depois de algumas semanas, o meu filho adoeceu pela primeira vez. Teve broncopneumonia! Eu tive que gerir a ele, a gripe que também apanhei, os estudos, etc. Ao mesmo tempo, o meu marido ficou cá sozinho, a tomar conta do trabalho dele e das coisas de casa.

Agradeço a uma prima que vivia num outro pais próximo de onde estávamos que ia nos ver sempre que podia. Ela ajudou-me muito. Tenho tios que vivem em alguns países ali a volta, e dois amigos que também sempre que podiam me apoiavam. Tive também apoio das colegas que foram comigo a formação e dos colegas do escritório onde eu trabalhava. Os colegas do escritório me ajudaram com roupas quentes para mim e para o meu filho e alguns brinquedos. Uma senhora moçambicana que vive lá com a família é um anjo para todos os Moçambicanos que lá passam, ela é incrivelmente boa pessoa!!!

Mas graças a Deus, ao final do terceiro mês tinha conseguido cumprir com todas as tarefas e regressei a Maputo.

Bem, este foi o resumo de como começou o meu doutoramento.

Nas próximas publicações espero partilhar um pouco mais sobre a experiência de fazer doutoramento e a minha experiência na vida na academia e na investigação cientifica.

Abraços!

Publicado por

Beatriz Manuel

Beatriz Manuel é licenciada em Medicina, esposa, mãe, estudante de doutoramento, docente e investigadora numa Faculdade de Medicina em Maputo, Moçambique. Ela leciona, investiga e tem interesse em Educação Médica, Saúde Familiar e Comunitária, Saúde Pública, Saúde Sexual e Reprodutiva, HIV / SIDA, temáticas de gênero, Evidência Baseada em Medicina para Influenciar Políticas. Ela possui mestrado em Educação de Profissionais de Saúde.

6 opiniões sobre “Após o meu mestrado…”

  1. Wauu lindo e encorajador. Tudo na vida precisa sim de atitude (coragem e determinação) acima de tudo. Parabéns por ter sido guerreira. Muitas de nós precisamos dessa atitude mas em simultâneo desistimos. Um exemplo a seguir. Parabéns Beatriz 😍

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