O início da minha pós-graduação

Bom dia!!!

Espero que estejam bem.

Um abraço muito forte as vítimas de calamidades naturais, especialmente na cidade da Beira.

Nas últimas publicações partilhei as experiências inspiradoras de algumas mulheres e o trabalho de um fotógrafo que se dedica a retratos de mulheres.

Enquanto aguardo mais histórias, vou dar continuidade ao meu percurso.

Na última publicação falei sobre a minha experiência clínica e como nasceu a minha paixão pelas pessoas vivendo com o HIV/SIDA.

Hoje vou falar como comecei a pós-graduação.

Ainda trabalhando no departamento que estava a cuidar das questões curriculares lá faculdade onde trabalho, alguns meses depois do início da minha carreira profissional, fui convidada pela direcção da Faculdade para fazer um mestrado exactamente na área de educação médica. Tinha tudo a ver com o trabalho que estava a fazer.

O convite foi feito se não me engano em Abril e em Junho comecei o mestrado. O curso era fora de Moçambique e era um país onde nunca tinha ido. Sendo o curso em inglês, tive que fazer o exame de proficiência na língua inglesa. Para tal, tinha que me preparar bastante, mas como tinha feito 25 horas de inglês por semana no ano zero durante a minha licenciatura, já me dava alguma vantagem. Procurei um professor de inglês para me preparar para o exame durante um mês. Depois de um mês fiz o exame de proficiência e graças a Deus consegui nota para poder fazer o mestrado.

Segundo os requisitos do mestrado, devia ficar lá um mês por ano. Sendo o mestrado de dois anos, ia fazer duas viagens com duração de um mês durante dois anos.

A primeira viagem foi marcante! Lembro-me que um amigo e ex. colega da faculdade também foi seleccionado, mas ele vinha de uma outra província, outra faculdade de Medicina. Fomos em voos diferentes.
Para mim, era a primeira vez que fazia uma viagem com tantas horas e conexões sozinha e em adulta. Fazer uma viagem daquelas até hoje me impressiona: conexões, aeroportos diferentes, 10 a mais horas de voo, terminais que parecem infinitas, etc… Uma das coisas que mais me marcou nessa viagem foi o facto de ter vencido as conexões de Maputo a Joanesburgo e depois me perder nas terminais na penúltima conexão.
Eu estava sentada numa entrada que indicava o número de várias portas, incluindo a que eu devia estar e pensei que estava tudo resolvido e que quando chegasse a hora do embarque era só atravessar aquela entrada. Qual não foi o meu espanto quando realmente chega a hora, entro no tal local e tive que correr por aí mais 10 minutos até chegar a porta de embarque!!! Fiquei desesperada a pensar que ia perder o voo de conexão!!! Quando chego a porta, todos os passageiros já tinham embarcado e as senhoras que lá estavam viram-me a correr e disseram: calma, podes vir mais devagar, não te preocupes…. Uff, lá fui e consegui apanhar o voo… Na segunda viagem houve uma avaria no regresso e tivemos que ficar 5 horas de tempo dentro do avião parado na pista…. Foi horrível…

Mas, deixando as experiências de aeroportos…. Chegando lá para o meu mestrado, fomos muito bem-recebidos. A universidade é fantástica, os docentes maravilhosos e a cidade virou minha paixão…

Um dos grandes desafios que senti durante o meu mestrado, foi o facto de ter iniciado sem nenhuma formação na área de investigação científica. Eles são bastante exigentes e no fim de cada módulo deve-se apresentar um trabalho muito parecido a um artigo científico.

Para além disso, conforme relatei em publicações anteriores, estava com muitos desafios no meu local de trabalho e isto influenciou que terminasse o mestrado três anos depois do previsto. Recordo-me que no dia da defesa o meu supervisor fez questão de mencionar as dificuldades que passei para terminar o mestrado ao público que lá estava a assistir.

O que aprendi ao fazer o mestrado enquanto trabalhava?:

  • Aprendi que fazer o mestrado ao mesmo tempo que se está empregado e na área em que está a trabalhar é vantajoso. Iniciar o mestrado sem ter experiência profissional e numa área que não é a que está a exercer as suas funções pode ser um desafio;
  • Dependendo do tipo do mestrado, é importante ter experiência na área de investigação científica. Tenho dito isto sempre aos meus estudantes de licenciatura os incentivando a fazer investigação científica;
  • Estudar e trabalhar, é um grande desafio. Sugiro que se tiverem condições, façam a pós-graduação fora do país e a tempo inteiro;

No momento do mestrado não era casada e não tinha filhos, por isso os meus desafios foram mais ligados a estar a trabalhar a tempo inteiro, a estudar a tempo “parcial” e a falta de experiência na área de investigação científica.

Por hoje é tudo! Espero que a minha história inspire a alguém…

Estou aberta a esclarecimentos e creio que os meus convidad@s que contaram as suas histórias também estejam abert@s para esclarecimentos.

Até breve!

Publicado por

Beatriz Manuel

Beatriz Manuel é licenciada em Medicina, esposa, mãe, estudante de doutoramento, docente e investigadora numa Faculdade de Medicina em Maputo, Moçambique. Ela leciona, investiga e tem interesse em Educação Médica, Saúde Familiar e Comunitária, Saúde Pública, Saúde Sexual e Reprodutiva, HIV / SIDA, temáticas de gênero, Evidência Baseada em Medicina para Influenciar Políticas. Ela possui mestrado em Educação de Profissionais de Saúde.

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