Prémio Mundial de alimentos em 2016: Maria Andrade

Boa noite amig@s!!!

Hoje partilho o perfil de mais uma mulher de fibra: Maria Andrade!!!

Estou muito feliz por ela ter partilhado o seu perfil e tenho a certeza que inspira a seguirmos os nossos sonhos!!!

Aqui vai o perfil por ela me concedido:

Maria Isabel Andrade, de Cabo Verde, recebeu o Prémio Mundial de alimentos em 2016.

Tem 34 anos de experiência profissional em África. Seus interesses de pesquisa incluem transferência de tecnologia, sistemas de sementes, melhoramento genético de plantas, criação e melhoria de cadeia de valores para geração de renda.

Maria é altamente qualificada na área de formação de outros melhoradores, facilitando a partilha de conhecimentos e construindo plataformas de comunicação para aumentar a visibilidade e o impacto da batata doce na África Subsariana, com o fim de reduzir a deficiência de vitamina A, melhorar os mercados e aumentar a sua produção como cultura alimentar e de rendimento.

Maria, passou os últimos 22 anos a trabalhar em Moçambique. Nos seus primeiros 10 anos, serviu como agrónoma regional de produção de mandioca e batata doce para uma rede de pesquisa de raízes tropicais para a África Austral, um programa executado conjuntamente pelo Centro Internacional da Batata (CIP) e Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA).

De 2002 a 2006, coordenou um projecto de cinco anos de IITA/CIP em multiplicação acelerada e distribuição de materiais de plantio saudáveis das melhores variedades de alta produção de mandioca e batata doce. Mais de 1 milhão de agricultores receberam material de plantio de alta qualidade no âmbito deste projecto, em 98 dos 141 distritos do país (Moçambique), colaborando com 124 parceiros para atingir este objectivo.

Em 2006, foi recrutada pelo CIP para gerir a plataforma SASHA – batata doce de polpa alaranjada para segurança alimentar e saúde em África – reunindo melhoradores do Malawi, Zâmbia, África do Sul, Madagáscar, Moçambique e Angola, com ênfase na investigação em melhoramento para resistência e/ou tolerância à seca. Maria lançou 30 variedades de batata doce, todas bio-fortificadas, das quais 20 são tolerantes/resistentes à seca.

O governo moçambicano reconhece a batata doce bio-fortificada como uma cultura de segurança alimentar e nutricional. Estas variedades tolerantes à seca já atingiram um milhão de agricultores que adoptaram e estão a ter rendimentos não só com a venda das raízes e das ramas como também com a venda de produtos processados.

Ao longo dos últimos 15 a 20 anos, a pesquisa na área de melhoramento genético, no desenvolvimento dos sistemas de sementes, resultou no aumento do rendimento de cerca de 5-6 toneladas por hectare em 2003 para quase 14 toneladas em 2016 (FAOSTAT, 2016) (http://www.fao.org/news/archive/news-by-date/2016/en/). Cerca de 23% de toda a batata doce cultivada em Moçambique é bio-fortificada.

Em reconhecimento da contribuição significativa desta batata para a segurança alimentar e nutricional, o governo de Moçambique a considerou como uma das culturas prioritárias e incluiu no seu plano de investimento. Além disso, no sector nutricional, esta batata foi adoptada como uma tecnologia dominante para o combate à deficiência de vitamina A pelo Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN) e na estratégia do país no dimensionamento do movimento da nutrição (SUN).

Em 2016 Maria participou do “Hunger Event”, convocado pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, e pelo vice-presidente do Brasil, Michel Temer, para compartilhar ideias sobre o papel da batata doce de polpa alaranjada na luta contra a subnutrição para as mulheres e crianças, em Moçambique e em Africa e, finalmente, recolher recomendações/iniciativas/acções a serem tomadas em conta para reduzir o nível de subnutrição até 2016, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Maria também trabalhou em estreita colaboração com outros cientistas CGIAR (https://www.cgiar.org/) da região para capitalizar sobre possíveis sinergias a serem adquiridas com o planeamento conjunto. Na plataforma para a inovação da agricultura e transferência de tecnologia em Moçambique, ela representa todos os membros CGIARs desta plataforma ( que são 8).

Há doze anos ela vem desempenhando o cargo da directora do CIP em Moçambique, além do seu papel de liderança científica. Ela também serviu como vice-presidente para angariação de fundos para a Sociedade Internacional de Cultivos de Raízes Tropicais (ISTRC) por cinco anos. Ela está no Conselho de Administração da Aliança para a Revolução Verde em África, AGRA, e é membro do painel de revisão externo do projecto NEXTGEN Cassava (https://www.nextgencassava.org/) , projeto de $19 milhões da Cornell & IITA.

Ela também é membro do grupo de alto nível de campeões da iniciativa – The Food Forever Initiative – Crop Trust (https://www.croptrust.org/our-mission/crop-diversity-why-it-matters/food-forever-initiative/). Trata-se de um grupo de alto nível que trabalha para apoiar a nova parceria para a biodiversidade. Campeões agrícolas irão defender a causa, mostrar o sucesso e comunicar a importância da diversidade agrícola.

Reconhecimentos chave para o seu trabalho com a batata doce:

Publicado por

Beatriz Manuel

Beatriz Manuel é licenciada em Medicina, esposa, mãe, estudante de doutoramento, docente e investigadora numa Faculdade de Medicina em Maputo, Moçambique. Ela leciona, investiga e tem interesse em Educação Médica, Saúde Familiar e Comunitária, Saúde Pública, Saúde Sexual e Reprodutiva, HIV / SIDA, temáticas de gênero, Evidência Baseada em Medicina para Influenciar Políticas. Ela possui mestrado em Educação de Profissionais de Saúde.

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