Nós não somos “mulheres na ciência” – somos cientistas

Bom dia!!!

Espero que esteja tudo bem.

Uma amiga partilhou este artigo que achei bastante interessante.

O artigo está em inglês mas tentei traduzir.

“Em dezembro passado, Donna Strickland se tornou a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel de Física em 55 anos. Hoje, no Dia Internacional das Mulheres e das Raparigas na Ciência, é mais importante do que nunca celebrar a conquista de Donna.

Mas podemos imaginar um mundo em que as manchetes recentes foram redigidas de forma diferente? E se, em vez disso, fosse vista como uma “mulher”, Donna seria simplesmente descrita como uma excelente cientista? Eu gostaria que o gênero dela fosse irrelevante, que não precisava ser mencionado de forma alguma – mas em dias como hoje, devia ser.

Como líder feminina dentro de uma empresa global baseada na ciência, saúdo a celebração anual com emoções contraditórias. Embora devamos estar orgulhosos do nosso progresso e continuar a capacitar as mulheres ao nosso redor, a nossa fascinação pela “feminilidade” dos nossos actuais e futuros cientistas destaca como ainda temos um longo caminho a percorrer para acabar com a lacuna de gênero na ciência.

O teto de vidro da ciência

Desde o estabelecimento dos Prêmios Nobel em 1901, houve apenas 20 Laureados Femininos em Física, Química e Medicina – o equivalente a apenas 3,3% do total de Laureados nestas disciplinas científicas. Este número é preocupante – tanto porque destaca que um vasto conjunto de talentos em potencial que já passou inexplorado, como porque sublinha que as jovens cientistas enfrentam maiores desafios no seu desenvolvimento.

Repetidas vezes, estudos mostram que as mulheres têm muito menos probabilidade de trabalhar em campos científicos após a graduação do que os seus colegas do sexo masculino, e têm maior probabilidade de enfrentar obstáculos no seu caminho para o sucesso. Para as meninas e jovens que desejam seguir uma carreira científica, digo isto: seja corajosa nas suas convicções e corajosa nas suas ambições. Precisamos da sua contribuição.

Na minha empresa, a DSM – por meio de programas de divulgação, campanhas internas de conscientização on-line e participação em conferências sobre diversidade – estamos a trabalhar duro para promover a igualdade de gênero e melhorar a diversidade da nossa força de trabalho. Entre outras metas que nos propusemos, pretendemos aumentar a representação das mulheres ao nível executivo de 17% em 2017 para 25% até 2020.

Construindo um futuro equilibrado

Mas não se trata apenas de obter números. Trata-se de promover uma cultura inclusiva em que mulheres e homens se sintam à vontade para oferecer as suas ideias e opiniões. Trata-se de criar espaço para uma gama diversificada de visões que questionam, exploram e constroem o futuro da ciência e da tecnologia.

Eu sonho com um futuro onde é mais fácil para as mulheres se tornarem grandes cientistas. Um futuro em que a palavra “mulher” não é a primeira coisa mencionada numa manchete; em que nós gritamos mais alto sobre as idéias de uma cientista do que sobre o gênero dela; em que o homem e a perspectiva de uma mulher são igualmente importantes, e podemos trabalhar para promover a ciência – e a sociedade – juntos.

Eu elogio Donna Strickland por ter sido a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel de Física em 55 anos? Sem dúvida. Eu acho importante mencionar que ela é uma mulher? Neste dia sim. Mas, acima de tudo, eu admiro Donna Strickland por sua inteligência, seu talento e sua capacidade de trabalhar duro no que ama.”

Texto adaptado para portugues de:

Helen Mets
Presidente da Resins & Functional Materials at Royal DSM

https://www.linkedin.com/in/helen-mets-b50162a/

Link para a artigo https://www.linkedin.com/pulse/were-women-science-scientists-helen-mets/

Publicado por

Beatriz Manuel

Beatriz Manuel é licenciada em Medicina, esposa, mãe, estudante de doutoramento, docente e investigadora numa Faculdade de Medicina em Maputo, Moçambique. Ela leciona, investiga e tem interesse em Educação Médica, Saúde Familiar e Comunitária, Saúde Pública, Saúde Sexual e Reprodutiva, HIV / SIDA, temáticas de gênero, Evidência Baseada em Medicina para Influenciar Políticas. Ela possui mestrado em Educação de Profissionais de Saúde.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s